quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

PORQUE TODOS NOS CALAMOS! - Por Marcelo Henrique




Primeiro eles vieram com a exaltação à "santidade" e a "pureza", ou "perfeição" do homem de Nazaré. Deturparam textos de Kardec, com traduções bizarras. E você se calou! 
Depois, resolveram editar "Os quatro evangelhos" e, massificadamente, utilizaram o expediente da publicidade em sua "revista oficial", a da Reforma - não por acaso - divulgando a obra com seu epíteto "a revelação da revelação", porque "precisavam" de "novidades". 
E você se calou! Então, foram introduzindo livros, ditos psicografados ou escritos por literatos espíritas, editando-os em sequência, apresentando o Jesus-fluídico (sem sofrimentos físicos) e a virgindade de Maria, para celebrar os "mistérios". E você se calou! Elegeram um "anjo" - materialização de uma fábula católica - como "guia espiritual" do planeta e você achou sublime, porque a ideia da angelitude é uma metáfora em relação ao ápice do percurso espiritual. Você se deixou convencer, e se calou!


Adiante, aproveitando-se de uma prodigiosa (mas ingênua) mediunidade, que produzia muito, deram-lhe o caráter de "continuador" doutrinário, sem criticar os textos que provinham de um velho sacerdote católico, impregnado de suas crendices e visões igrejistas. E você, novamente, se calou! 

Dizem, até, que os originais das obras psicografadas foram todos destruídos. Porque não havia necessidade de mantê-los, pois tínhamos os livros editados, físicos. E o silêncio foi a sua resposta! Foram desistindo da filosofia e da ciência, entendendo que o edifício estava pronto e que as manifestações de espíritos eleitos e médiuns escolhidos, do ontem e do hoje, foram todas, sempre, autorizadas pela "Espiritualidade", e você silenciou novamente! 

Capciosamente, tocaram o teu coração com a simbologia da mensagem sublime, sobre amor e caridade, sobre perdão e não-discórdia, para tê-lo como cordeiro diante do Pastor, e você não esboçou qualquer reação! Resgataram velhos conceitos de temor e culpa, tão comuns entre as igrejas, desde Constantino, instituindo "prêmios" para bons comportamentos, bonificadores, definindo lugares imaginários para o regalo das almas submissas à meia-verdade, com departamentos e ocupações similares às da Terra, e você deixou "barato", porque desejava uma esperança de que, na outra vida, as coisas se parecessem com a "atmosfera" da vida física. E você se aquietou! 

Agora resgatam textos evangélicos diferentes dos escolhidos como relevantes por Kardec e pela Verdade, publicando oficialmente "O Novo Testamento" e projetando uma versão da Bíblia (Antigo Testamento), porque, afinal, um é a consequência do outro, e que voltar aos textos antigos é buscar a "sinergia" entre as mensagens. E você até está pensando, silente, em comprar as obras! Disseram-te, também, que o tal controle das mensagens só era necessário na época de Kardec, porque a doutrina estava iniciando e era necessário filtrar as muitas comunicações, evitando a desfiguração da "árvore cristã".

E você aplaudiu, inconsciente, entendendo que a diretriz vinha, mesmo, do Alto, e calar-se para aprender seria a única alternativa! E os pastores prosseguem, tangendo as almas pacatas, desfigurando a mensagem e aproximando-a das vaidades e das honrarias do mundo. Todos se maravilham ante os "dotes" artísticos, literários e de oratória de um ou outro virtuose, enquanto os grupos de aprofundamento espírita, de discussão e de promoção de saudáveis debates em busca dos conhecimentos progressivos, míngua  e se esvai, no tempo, contando com a tua aquiescência e timidez, silenciosas! Dizemos, por vezes, que não temos tempo, nem energia para gastar com contendas, que precisamos cuidar de coisas mais importantes, que não estamos no "movimento" para "procurar confusão", e os dias vão passando... E a você só resta o silêncio de sua intimidade, a conversa com seus botões, e aquela indignação quase morta, que não ultrapassa os limites de sua boca, de sua letra, ou de sua própria casa... Porque você, eu, todos nós... Nos calamos!.


Marcelo Henrique, é professor, advogado, espírita, escritor e palestrante, ex dirigente da FEB em Santa Catarina, é um pesquisador especialista em J.Herculano Pires, e Allan Kardec, um dos grandes divulgadores da Doutrina Espírita, nas redes sociais, vem realizando um trabalho do entendimento de Kardec, suas obras, e debates sobre a verdade do Espiritismo.

ABRAÇAR PARA VOAR - Por Richard Simonetti



                          

Marina ficou arrasada quando soube que estava com câncer no seio. Embora o médico lhe afirmasse que o tumor era pequeno e que com a cirurgia e a quimioterapia tinha excelentes perspectivas de recuperação, ficara muito deprimida. Sem filhos, o marido falecera. Nova na cidade, não tinha amigos. Sentia-se extremamente só, desolada, aflita e com muito medo. À noite, tentava distrair-se com a televisão, quando tocou o telefone.
– É Marina? – perguntou uma voz simpática.
– Sim.
– Sou Suzana. Integro um grupo de senhoras ligadas ao hospital de oncologia. Gostaríamos de visitá-la.
– Será um prazer. É algo relacionado com a cirurgia?
– Em parte, sim. Explicaremos depois.
No dia seguinte, conforme combinado, Marina recebeu Suzana e duas senhoras, um trio simpático e sorridente. Suzana foi logo explicando:
– Estamos aqui para manifestar nossa solidariedade, Marina, não apenas com a presença, mas também com o apoio. Estaremos juntas durante a cirurgia e a acompanharemos no tratamento. Não a deixaremos só. Haverá sempre alguém com você.
Marina, um tanto constrangida, comentou:
– Acho ótimo esse apoio, é tudo o que quero, mas infelizmente não tenho condições para arcar com as despesas. Vivo apenas com uma        pensão deixada por meu marido.
Suzana sorriu:
– E quem disse que vai custar alguma coisa? Não haverá  despesas. Estamos aqui como amigas.
Marina, olhos úmidos, emocionada, comentou:
– Deus lhes pague. Não podem imaginar como é terrível enfrentar essa doença.
Suzana sorriu  – Podemos, sim, minha querida. Todas nós tivemos câncer. Ouça bem, tivemos, não temos mais. Essa postura é muito importante para superar o medo. Levamos uma vida normal. Justamente porque sabemos o que é enfrentar essa barra, formamos nosso grupo para que todos os pacientes com quem lidamos saibam que não é um bicho-de-sete-cabeças. Você vai vencer essa, como nós vencemos! Estamos aqui para o que der e vier!
Graças ao apoio do grupo de senhoras, Marina submeteu-se à cirurgia, fez o tratamento, sempre acompanhada pelas novas amigas, e logo ligou-se àquele abençoado grupo de pessoas capazes de fazer de sua provação um instrumento de edificação para outras pessoas.


***


No domingo à tarde, ao sair da chácara cedida por um amigo, onde passara o final de semana com a família, Jonas não conseguia ligar o motor do automóvel. Simplesmente não funcionava. Para completar, seu telefone celular estava com a bateria descarregada. Deixou a esposa e o filho esperando e saiu à procura de socorro. Depois de uma hora de caminhada, chegou a um posto de gasolina.
Estava fechado. Não funcionava aos domingos. O vigia deu-lhe o número de um mecânico que morava em cidade próxima. Num telefone público fez a ligação. Quando atenderam, explicou seu problema, onde estava, bem como a localização do automóvel. Precisava de socorro.
O atendente logo informou:– Meu nome é João. Fique tranquilo. Normalmente não trabalho aos domingos, mas, tratando-se de emergência, posso chegar aí rapidinho. São apenas trinta quilômetros.
Jonas ficou aliviado e ao mesmo tempo preocupado. Não ficaria barato e ele não andava bem de finanças. Viera passar o final de semana na chácara justamente por não estar em condições de pagar hotel.Trinta minutos depois,  João chegou.  Jonas subiu em sua caminhonete e partiram. Quando chegaram verificou, espantado, que o mecânico tinha problemas nas pernas. Usava muletas.
Valendo-se delas, aproximou-se do automóvel, fez o exame e logo informou:– É apenas a bateria descarregada. Providenciarei uma carga.
João era de uma simpatia cativante. Sorridente, enquanto a bateria carregava, distraiu o filho de Jonas com truques de mágica e chegou a tirar uma moeda da orelha, dando-a ao garoto. Terminado o serviço, Jonas, preocupado, perguntou quanto era. Surpreso, ouviu a resposta:
– Não é nada.
– Nada?!… Não entendo... Você perdeu tempo, em seu dia de folga, usou o caminhão, gastou gasolina…
– Não é nada – confirmou ele.
– Não é justo. Por favor, é minha obrigação.
Jonas sorriu
– Olhe, meu amigo, há alguns anos alguém me ajudou a sair de uma situação muito pior, num acidente em que fiquei dependente de muletas. A pessoa que me socorreu, levando-me ao hospital e salvando-me a vida, simplesmente disse o mesmo: – Não é nada. Apenas lembre-se, quando tiver oportunidade, faça o mesmo, porquanto somos todos anjos de uma asa só. Precisamos nos abraçar para voar.

Nessas histórias, leitor amigo, temos exemplos marcantes de superação, tanto no aspecto material quanto espiritual. Pessoas que vencem suas provações sem cair no desespero ou na revolta, aprendendo, consoante o ensinamento do Cristo, que nossa cruz ficará leve se nos ajudarmos uns aos outros.
Há um problema a ser encarado. A tendência de imaginarmos que a nossa dor é maior do que a do vizinho.
É quando sentimos pena de nós mesmos e nos fechamos, acabrunhados. Nada mais longe da realidade. Há milhões de pessoas no mundo com problemas piores que os nossos.
Se nos sentimos o coitadinho, aos nossos olhos o problema ficará bem maior do que é, induzindo-nos ao desalento e à tristeza, maus conselheiros que paralisam nossa iniciativa.

Importante é não parar, seguir adiante, conservando o bom ânimo e o empenho de servir, de ajudar o próximo, fazendo sempre o melhor.Isso é fundamental para nossa felicidade. Lembrando o mecânico João, somos anjos de uma asa só. É preciso que nos abracemos para que possamos ganhar o Céu.


Richard Simonetti, 82, escritor, espírita, divulgador da Doutrina Espírita de acordo a codificação de Allan Kardec, é colaborador deste blog.

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

ESCOLHAS, MEDITE NELAS - POR DAVID CHINAGLIA



Para grande parte da população Brasileira 2017 foi um ano de muitas dificuldades, financeiras, familiares e muitos vendo os valores indo embora em prol da manutenção de uma vida material mais saudável sem calcular os limites, pelo menos é o que dizem os espíritos.

Alguns de nós viveram este ano repetição de anos do passado, ou seja, com muitas dificuldades.
Numa conversa com um espírito que já nos cedeu inspirações neste blog, perguntei porque isto estava ocorrendo com pessoas que já haviam sofrido, e recebi a resposta, citando um exemplo que tinha em meus arquivos, e assim quando falei da pessoa em questão, meu companheiro do plano argumentou : "ele mudou? ou voltou a fazer escolhas que comprometeram tudo que tinha aprendido."

Em silêncio vi que meu amigo querido, tinha feito grandes mudanças, mas dentro dele, algumas coisas do passado ainda o perturbavam, havia mudado porém...
Logo entendi que tudo estava se repetindo com ele, por isto, revolta e falta de aceitação, e repetição de erros que já sabia no que o levaria, por teimosia e orgulho, voltou ao ponto de partida mais machucado, mais ferido, com uma grande marca na saúde, que o levou novamente a refletir dentro de nossa doutrina.




José Carlos de Lucca, grande palestrante, espírita e escritor, na sua bela obra CURA E LIBERTAÇÃO, escreveu: "Problemas são pressões que a lei de Evolução realiza para que o homem se aperfeiçoe transformando algo dentro de si mesmo."

Na mesma obra o autor cita que : "sem experimentar dificuldades e obstacúlos, dificilmente o ser humano buscaria seu progresso"







Na obra esquecida de Allan Kardec, O que é o Espiritismo, achamos uma observação feita ao codificador que devemos sempre relembrar.


132. Qual a causa dos males que afligem a humanidade?


O nosso mundo pode ser considerado, ao mesmo tempo, como escola de Espíritos pouco adiantados e cárcere de Espíritos criminosos. Os males da nossa humanidade são a consequência da inferioridade moral da maioria dos Espíritos que a formam. Pelo contato de seus vícios, eles se infelicitam reciprocamente e punem-se uns aos outros.




Companheiros todos nós temos dificuldades, uns mais outros menos, o que precisamos refletir nesta virada de ano, onde o 2017 foi duro para muitos é porque nossos erros estão se repetindo, e agora trazendo como ao meu amigo citado, mais problemas, até de saúde.


E a resposta será a mesma que o espírito me deu; "repetição de atitudes erradas, orgulho, mágoas do passado que sempre voltam para nos testar".

Em tempos onde vemos crenças e fé sendo combatidas e onde vemos falta de atitudes de terceiros conosco, devemos refletir, o que vamos fazer para resolvermos nossos problemas, nossas mazelas, porque uma coisa é certa, a solução passa primeiro por nós, por nossas mudanças.

Rafael nome de meu amigo(devidamente autorizada a citação) que falei no texto, vem sendo ofendido, e abandonado até por familiares mais chegados, no entanto ao invés de gritar, xingar, ou enfrenta-los aplicou o silêncio, o que permite a parte ofensora refletir até onde tem razão, e onde o excesso chegou.

Augusto Cury, em uma de suas frases mais famosas na Internet, diz: "respeite seus próprios limites, quando estiver irritado e ansioso, ame o silêncio, no primeiro minuto de tensão produzimos nossos maiores erros."

Para obtermos de volta a tranquilidade em 2018, procure acertar suas modificações, como disse certa vez a mim o escritor José Carlos De Lucca, é preciso ter coragem para mudar, se você meu amigo ou minha amiga estiver também neste processo de mudança, meus parabéns, pela coragem.

O Plano espiritual da mesma maneira que não pode te garantir a felicidade financeira e material nem mudar sua vida, não pode prejudica-lo, a menos que você aceite a frequência da auto destruição, com ódio, raiva, mágoa, e falta de perdão.

Digo sempre aos meus, que aprendi que o perdão deve ser dado, sempre, Jesus o tratava como fator principal para todos nós.
Chico Xavier dizia que o Perdão é terapeutico, eu posso garantir que Chico estava certo, neste ano lutei pela vida num Hospital de Santos, e as melhoras que tive após delicada cirurgia vieram porque ali conclui o perdão, que devia a alguns inimigos de um passado recente.
Cito isto para entendimento de todos em suas histórias, por ter conseguido de fato ter aplicado a estes seres o perdão pelo que fizeram a minha vida, tive uma recuperação dita pelos médicos como inexplicável.

Miguel grande amigo do plano, espírito que sempre nos ajuda, diz que "só o perdão não resolve, são necessários atitudes, e todos nós devemos toma-las não só agora no final do ano, e no começo de 2018, ao longo de nossas vidas.







Allan Kardec na maior obra da Doutrina Espírita, O Livro dos Espíritos, abordou a felicidade, com os imortais, e trago para lembra-los que existem "momentos felizes", mas, que a felicidade em sua essência será um pouco mais tarde como lemos nas questões 920 e 921.

920. Pode o homem gozar de completa felicidade na Terra?

“Não, pois a vida lhe foi dada como prova ou expiação. Dele, porém, depende a suavização de seus males e o ser tão feliz quanto possível na Terra.”

921. Concebe-se que o homem será feliz na Terra, quando a Humanidade estiver transformada. Mas, enquanto isso não se verifica, poderá conseguir uma felicidade relativa?

“O homem é quase sempre o obreiro da sua própria infelicidade. Pela prática da lei de Deus, a muitos males pode forrar-se, proporcionando a si mesmo felicidade tão grande quanto o comporte a sua existência grosseira.”

Aquele que se acha bem compenetrado de seu destino futuro não vê na vida corporal mais do que uma estação temporária, uma como parada momentânea numa hospedaria de má qualidade. Facilmente se consola de alguns aborrecimentos passageiros de uma viagem que o levará a tanto melhor posição, quanto melhor tenha cuidado dos preparativos para empreendê-la.

Já nesta vida somos punidos pelas faltas que cometemos, das leis que regem a existência corpórea, sofrendo os males consequentes dessas mesmas infrações e dos nossos próprios excessos. Se, gradativamente, remontarmos à origem do que chamamos as nossas desgraças terrenas, veremos que, na maioria dos casos, elas são a consequência de um primeiro afastamento nosso do caminho reto. Desviando-nos deste, enveredamos por outro, mau, e, de consequência em consequência, caímos na desgraça.



Sendo assim, amigas, e amigos, façamos a nossa parte, para que aqueles que nos amam de verdade, sejam filhos, filhas, netos, irmãos, ou amigos enviados a uma mesma jornada para estar conosco, vejam que não perderam tempo conosco, e sobretudo quando olharmos no espelho, vejamos que quando fizemos nossas escolhas, meditamos, e se fizermos mesmo isto, nunca mais erraremos no mesmo lugar, e mudaremos, todos os resultados negativos, e colheremos pelo menos uma parte em vida, como resultado de nossas aceitações, e aprendizado.


Feliz ano novo, um super 2018 á todos, e obrigado sempre.


David Chinaglia, 59, é espírita, palestrante, escritor e editor deste blog, escreve e divulga a Doutrina Espírita de acordo com a codificação de Allan Kardec.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

REFLEXÃO PARA O ANO NOVO - Por Richard Simonetti







richardsimonetti@uol.com.br

Desperta, ó tu que dormes, levanta-te dentre os mor­tos e Cristo te iluminará. Andai prudentemente, não como néscios e, sim, como sábios, remindo o tempo, porque os dias são maus. Não vos torneis insensatos, mas procurai compreender qual é a vontade do Senhor. (Epístola aos Efésios, 5:14-17)

Considerando o tempo como o grande tesouro que Deus nos oferece em favor de nossa evolução, onde estivermos poderemos adquirir valiosos patrimônios de experiência e conhecimento, virtude e sabedoria, se não deixarmos que se escoem os minutos, as horas, os dias, os anos, mergulhados no sonambulismo que caracteriza tanta gente, que dorme o sono da indiferença, sob o embalo da ilusão.
O século marca, extrinsecamente, o período de uma vida, valioso patrimônio que Deus nos oferece para experiências evolutivas na Terra.
Mas o valor intrínseco, real do século dependerá do que fizermos dos três bilhões, cento e cinquenta e três milhões e seiscentos mil segundos que o compõem.
A bondade, o amor, a ternura, a mansuetude, a humildade, a compreensão, a paciência, a fé, são valores que “compramos” à custa de dedicação, renúncia, sacrifí­cio, esforço, mas são inalienáveis, jamais os perderemos, habilitando-nos à alegria e à paz onde estivermos, viven­do em plenitude.
Todavia, se não fizermos bom uso do tempo, um século poderá representar para nós mera semeadura de inconsequência e vício, rebeldia e desatino, com colheita obrigatória de sofrimentos e perturbações. Imperioso, portanto, que aproveitemos as horas.
Podemos começar com o que há de errado em nós.
O ví­cio, por exemplo, não representa apenas perda, mas, so­bretudo, comprometimento do tempo, com repercus­sões negativas para o futuro.
Quantos minutos perde o fumante, por ano, no ritual das baforadas de nicotina? Quantas horas precisa trabalhar para alimentar o vício e pagar o tratamento de moléstias que decorrem dele? Quantos dias abreviará de sua existência por comprometer a estabilidade orgânica? Quantos anos sofrerá depois, com os desajustes espiri­tuais correspondentes?
E o maledicente, quantos minutos perde diaria­mente, divagando sobre aspectos menos edificantes do comportamento alheio? E quantas existências gastará depois, às voltas com males que, a custa de enxergar nos outros, sedimentará em si mesmo?
O propósito de vencer um vício, a contenção da língua, a disciplina da palavra e das emoções, os ensaios de humildade, o treinamento da paciência, a disposição de aprender, o desejo de servir e muito mais, devem fazer parte de nosso empenho de cada dia.
Afinal, Deus nos oferece a bênção do Tempo pa­ra as experiências humanas, mas fatalmente receberemos um dia a conta pelos gastos, na aferição de nossa vida, como explica Laurindo Rabelo no notável soneto “O Tempo”.

Deus pede estrita conta do meu tempo,
É forçoso do tempo já dar conta;
Mas, como dar sem tempo tanta conta,
Eu que gastei sem conta tanto tempo!

Para ter minha conta feita a tempo
Dado me foi bem tempo e não fiz nada.
Não quis sobrando tempo fazer conta,
Quero hoje fazer conta e falta tempo.

O vós que tendes tempo sem ter conta,
Não gasteis esse tempo em passatempo:
Cuidai enquanto é tempo em fazer conta.

Mas, ah! se os que contam com seu tempo
Fizessem desse tempo alguma conta,
Não choravam como eu o não ter tempo.



Richard Simonetti, 81, escritor, espírita, um dos maiores divulgadores da Doutrina Espírita no Brasil e no Mundo é colaborador deste blog desde 2011.



segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

A NOSTALGIA DO NATAL - por Richard Simonetti






Um amigo dizia:
– Não sei por que, o Natal traz-me indefinível nostalgia, relacionada com algo importante, es­quecido no passado... Talvez uma ligação afe­tiva, uma situação mais feliz ou – quem sabe? – a própria pureza perdida...
Embora estejamos diante de um paradoxo, já que a gloriosa mensagem natalina deve inspirar sempre alegrias e esperanças, muitos experimentam esse sentimento, associado a situações do pretérito, na existência atual ou em existências anteriores, mas, basi­camente, trata-se da melancolia por um ideal nunca realizado.
O magnetismo divino que emana da manjedoura, nas comemorações natalinas, estabelece o confronto entre as propostas do Evangelho e a realidade de nossa vida. Do distanciamento entre o que somos e o que Jesus recomenda, sustenta-se a nostalgia.
O simples fato de se comemorar o Natal com fes­tas ruidosas, regadas a álcool, com desperdício de di­nheiro e de saúde, em detri­mento dos que não têm o que comer, demonstra como estamos longe dos valores de fraternidade preconizados pela mensagem cristã. Curiosa situação essa, em que se festeja um ani­versário esquecendo o aniversariante e, sobretudo, o sig­nificado de seu natalício.
Lembram-se dele os fiéis nas horas difíceis, espe­rando por suas providências salvadoras, e até mesmo que opere o prodígio de fazê-los felizes, mesmo sem o mere­cerem.
É preciso superar semelhantes equívocos e assu­mir nossas responsabilidades, a partir da compreensão de que Jesus veio para nos ensinar a viver como filhos de Deus. Como o fazem os professores eficientes, exem­plificou suas lições, vivendo-as integralmente, desde a humildade, na manjedoura, ao sacrifício, na cruz. Usando imagens claras e objetivas, retiradas do cotidiano, Jesus fala-nos com a simplicidade da sabedo­ria autêntica e a profundidade da verdade revelada.
Aos que condenam, demonstra, na inesquecível passagem da mulher adúltera, que ninguém pode atirar a primeira pedra, porque todos temos mazelas e imper­feições...
Aos que se perturbam com dificuldades do pre­sente e temores do futuro, recomenda que procurem o Reino de Deus, cumprindo a sua justiça com empenho por levar a sério seus deveres, agindo com retidão de consciência e “tudo mais lhes será dado por acréscimo”...
Aos que se apegam aos bens materiais, recorda que não se pode servir a dois senhores – a Deus e às rique­zas – e relata a experiência de um homem ambicioso que ergueu muitos celeiros e amealhou muitos bens, mas morreu em seguida, sem poder desfrutá-los, nada levan­do para o Além senão um comprometedor envolvimen­to com os enganos do Mundo...
Aos que usam de violência para fazer prevalecer, seus interesses, esclarece que “quem com ferro fere, com ferro será ferido”...
Em todos os momentos, em qualquer dificuldade ou problema, temos no Evangelho o roteiro precioso a definir a melhor atitude, o comportamento mais adequado, a iniciativa mais justa.
Consumimos rios de dinheiro à procura de conforto, prazer, distração, buscando o melhor para nossa casa, nossa aparência, nossa saúde, e deixamos de lado o recurso supremo, que não custa absolutamente nada: as lições de Jesus.
Se o fizéssemos saberíamos que muitas vezes temos procurado a felicidade no lugar errado, à distância do que ensinou e exemplificou o Cristo, colhendo, invariavelmente, desilusões.
Como reflexão natalina, consideremos o desafio que Jesus nos propõe: encararmos a realidade, compreendendo que a jornada terrestre tem objetivos específicos de renovação e progresso que não podem ser traídos, sob pena de colhermos frustrações e desenganos, em crônica infelicidade Para vencê-lo é indispensável que nos disponhamos a seguir o Cristo, imprimindo suas marcas em nós, a fim de que sejamos marcados pela redenção.




Richard Simonetti,81 anos, é escritor, espírita, dirigente, a mais de 61 anos divulgando da Doutrina Espírita no Brasil e no exterior de acordo a codificação de Allan Kardec, é colaborador deste blog desde 2011, onde escreve semanalmente.



quarta-feira, 8 de novembro de 2017

JESUS MUITO ALÉM DO HOMEM - por David Chinaglia






Quando pensarmos em Jesus, devemos pelo menos pelo que estudei, pelo que ouvi, pensar no conteúdo, na mensagem, na lição, menos no Homem, menos até no fato se ele existiu ou não.
Como agora, vem um historiador dizer que o mestre amigo foi obra da criação Romana para dar uma lição de impostos, por tempos onde a notícia, era fabricada e lenta ao povo sem estudo e conhecimento, cabe aqui refletirmos, em qual Jesus queremos para nós.

Cabe analisar que a Ciência e a História nunca andaram juntas, no conceito Jesus, muito diferente da Igreja, e depois das que se sucederam a ela, e ao próprio espiritismo.

O espírito em si, transmitido pelas lições e pela fé de Jesus, valem muito mais que ele, em si como ser humano, mesmo que amanhã a mesma história e a mesma ciência o desmintam.
Não tenho o direito, como nenhum espírita, historiador ou escritor pode faze-lo de tirar a fé, a crença das pessoas.
Sabemos que muitas inclusive morrem crendo no que nunca existiu, até mesmo dentro da doutrina espírita existem fatos que não são fatos verdadeiros, como vemos no Brasil por exemplo, que navega pela nave do imaginário, em vários quesitos.
No entanto pensei muito, pesquisei muito, para chegar até aqui e falar com as senhoras, e com senhores, o que importa para nós se Jesus de fato existiu ou não?

Reflita nisto por alguns minutos.

O que vale não são os exemplos ? a lição de amor, a educação reta que ele tinha? a mim nunca importou o homem, se teve ou não um relacionamento com Madalena, se era ou não amado pelas irmãs de Lázaro, se a história ou teólogos provarem que ele não existiu,  pouco muda, tiram o homem, jamais o que ele significa ou significará.

Pessoalmente acredito que o "Projeto Jesus" está muito acima das coisas citadas acima, Jesus ao longo de 2017 anos, ficou maior do que ele mesmo esperava, do que se projetou na sua vida, ou na sua criação, foi além de ser um temor, foi mais que uma causa, e muito além da imaginação.

Então onde ficam os milagres? no mesmo lugar de sempre que o Espiritismo, explica, a doutrina Universal que fala claramente que necessariamente um nome dado a um espírito, não quer dizer que foi ele que atuou e sim um agrupamento de espíritos que aceitaram a nomenclatura do planeta Terra.

O que não podemos perder é nossa fé, no conteúdo, é nossa crença na mensagem, que esta sim talvez seja a maior mensagem deixada na terra, e pouco importa que caminho foi tomado.

Sabemos que devemos separar sempre o joio do trigo, e até na fé isto se aplica, pois sabemos que falsos mensageiros, foram usados, e sempre o serão.


Somos reféns da ignorância, a Bíblia foi escrita por cerca de 40 homens, mais ou menos entre 1500 AC e 450 AC, logo muita coisa foi ignorada, tanto pelos autores, é dado a Paulo a frase, que todo texto é inspirado por Deus, porém hoje sabemos que Deus que Paulo falava, podem ser espíritos superiores, e não somente um ser UNO querendo ditar uma regra técnica ou básica de vida.

A Bíblia virou instrumento de poder, tanto que por mais de 600 anos, somente a Igreja tinha exemplares e as usavam como instrumento de poder.
O povo, não sabia em sua maioria ler,nem escrever, os poucos ficaram doutores da lei, assim como padres, e pastores se apoderaram de verdades, usando o nome de Deus, e do próprio Jesus, portanto nem sempre para o mesmo fim, e talvez num uso pior do que fez ROMA, se esta versão de que o mestre jamais existiu seja verdade.

Não podemos polemizar mais do que o assunto sugere, somos lidos por jovens sem fé, por idosos que não estão sabendo lidar com a notícia, motivo pelo qual estamos aqui falando de maneira simples para os que podemos.

A força de Jesus, está mais no conteúdo, do que no fato cientifico que já foi desmentido que o corpo dele subiu aos céus fato, que ninguém hoje admite como verdadeiro, por ser fisicamente impossível, pela própria igreja isto é evitado, ela que tem seu departamento de pesquisas, e ciências, pois se não se atualizar fica presa no tempo e na história.

Perguntará o leitor, se ele não existiu como sobreviveu ? Pelo conteúdo meus amigos, o conteúdo Jesus é maior do que ele si.

Jesus ao meu ver, tenha ou não existido está numa linha de pensamento muito acima, num nível muito superior, quem se passou por ele caso não tenha existido foi sem dúvida instrumento de algo muito acima do certo ou do errado, pois mantém sua mensagem 2017 anos depois.

Não sei o que será do calendário, da vida sem Jesus, do Cristianismo, se o Cristo foi criado, sei que algumas verdades se tornarão fatos, tipo : "muitos serão chamados, e poucos serão escolhidos", para viver sem a presença física mesmo a milhares de anos será para poucos.

Acreditar num homem é mais fácil do que acreditar nos fatos que ele deixou, na lição e na moral que ele deixou.
Repito a todos, que o conteúdo Jesus, para mim, é mais importante do que o homem Jesus.

Existem coisas que não temos entendimento, desafios pelos quais estamos passando nestes tempos, onde perdemos o endereço da fé.

Em todos os escritos peço sempre, não percam a fé, não em Deus, não em Jesus, mas no todo que sabemos foi enviado de um plano espiritual, que está ao nosso alcance, basta entender como.
E para isto a doutrina espírita de Kardec está aqui, e apesar de combatida, não foi desmentida pela história nem pela ciência, muito pelo contrário.

Hoje ao escrever novamente sobre este tema, recebi a mensagem que Deus não está num lugar, e sim, em tudo que vemos, se você olhar assim ficará mais fácil viver de hoje em diante, pode ser, porém, olhe muito mais, olhe no conteúdo, no todo Deus e Jesus.
Não está provado nem que Jesus existiu, tão pouco se ele foi uma criação do governo de Roma, mas, está sim provado que o conteúdo Jesus existiu e existe de várias formas e nisto devemos manter nossas crenças.


Ser humano de fé? será aquele que sem poder provar a vida terrena de Jesus no seu conteúdo acreditar.


Sempre disse muito antes de teólogo aparecer que se Jesus, voltasse a Terra teria que fazer uma grande campanha publicitária para provar que ele era Jesus, como nós foi dito, porém algo que não precisamos, é ver para crer.
Isto nem sempre nos mostra, pois diz a Bíblia que somente o temente a Deus prosseguirá, e aqui está nosso desafio.

Não temer a Deus, Jesus, seja lá qual for a nomenclatura, e sim temer a nós, pois somos os destruidores de nós mesmos, nossa mente, nossa necessidade de criar, de saber, de ser dono da verdade, e se ele aqui estivesse diria, "Oh pobres ignorantes, jamais irão aprender".

Precisamos largar do ver para crer,o segredo está em entender, dentro do que nos permite os tempos atuais, para que não sejamos vencidos por nossas próprias dúvidas e respostas.

Que resposta você quer ouvir? o que é certo? o que acredita ser verdade, ou o que lhe está evidente dentro dos espíritos superiores, que temos que acreditar no conteúdo e jamais nos homens.

Milhões de nós não possuem a necessidade daquele Deus UNO, sentado no trono, este se findou, mas no Deus como vemos no Evangelho Espírita, e sobretudo na pergunta número um do Livro dos Espíritos.










1. O Que é Deus?
“Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas”. 



2. Que se deve entender por infinito?


“O que não tem começo nem fim; o desconhecido; tudo que é desconhecido é infinito.”



3. Poder-se-ia dizer que Deus é o infinito?
“Definição incompleta. Pobreza da linguagem dos homens, insuficiente para definir o que está acima de sua inteligência.”


Deus é infinito em Suas perfeições, mas o infinito é uma abstração. Dizer que Deus é oinfinito é tomar o atributo de uma coisa pela coisa mesma, é definir uma coisa que não é conhecida por uma outra que não o é mais do que a primeira. 4. Onde se pode encontrar a prova da existência de Deus?

“Num axioma que aplicais às vossas ciências: Não há efeito sem causa. Procurai a causa de tudo o que não é obra do homem e a vossa razão responderá.”

Para crer-se em Deus, basta se lance o olhar sobre as obras da Criação. O Universo existe, logo tem uma causa. Duvidar da existência de Deus é negar que todo efeito tem uma causa e avançar que o nada pôde fazer alguma coisa.

5. Que consequência se pode tirar do sentimento intuitivo que todos os homens trazem em si da existência de Deus?
“A de que Deus existe; pois, donde lhes viria esse sentimento, se não tivesse uma base? É ainda uma consequência do princípio de que não há efeito sem causa.”




Acredito Senhoras e Senhores, que o entendimento destas questões, podem vos garantir uma vida, mesmo sem a comprovação técnica que Jesus esteve aqui, porque ao aceitar o que  o LE nos ensina saberemos, que algo muito maior que Jesus, está aqui, a vida, e que na vida além da vida, existe vida, e necessariamente não depende de um único homem que tenha passado pelo planeta Terra, e sim na sua mensagem.
Mas que mensagem foi criada em torno dele,? e de seu conteúdo, por isto, para nós ele vive e sempre viverá na verdade como parte de um todo, e não somente como um homem que passou por aqui, e que vive, pelo seu conteúdo, por espíritos acima dele e iguais ao que ele teria sido, para que o nosso todo EXISTA de fato.


FÉ! sempre.




David Chinaglia, 59, é espírita, palestrante, pesquisador e seguidor da Doutrina Espírita de acordo com a codificação de Allan Kardec.
E-mails sobre o tema e outros podem ser enviados para davidchinaglia@gmail.com









segunda-feira, 6 de novembro de 2017

TODA UMA BIBLIOTECA - POR RICHARD SIMONETTI




Empirismo, como sabe o prezado leitor, é o princípio segundo o qual todo conhecimento provém da experiência.
Um político norte-americano discursava para uma comunidade indígena, fazendo promessas de campanha relacionadas com os benefícios que prestaria aos índios se fosse eleito. Durante sua fala e principalmente ao final, os índios gritavam em uníssono: oia, oia! Satisfeito com tal receptividade, o político caminhava distraído pelo campo em direção ao seu automóvel, quando, inadvertidamente, pisou sobre um montículo de estrume, o cocô de boi.
O assessor indígena logo advertiu:
Cuidado com a oia!
Pois é, leitor amigo, o político literalmente aprendeu pela própria experiência que oia não era exatamente uma saudação.
Isso é empirismo.





         John Locke (1632-1704), filósofo inglês, sistematizou essa ideia, situando a nossa mente como uma tábula rasa, um estado de vazio completo, ao nascermos. Seria uma página em branco, que iríamos preenchendo durante a existência.
         Duas etapas seriam observadas: A sensação, colhida por intermédio dos sentidos, portas de contato com a realidade exterior e a reflexão, que sistematiza o resultado das sensações. Não haveria, por isso, tendências ou ideias inatas.  Seria tudo fruto da experiência e das pressões do ambiente.
Curiosamente, o próprio Locke era evidente negação de sua teoria. Homem brilhante, destacou-se como professor, médico, ensaísta, cientista, filósofo, religioso, político… Foi conselheiro de um lorde inglês, tutor de seus filhos e médico de toda a família. Antes mesmo que recebesse diploma de médico, graças a seus conhecimentos teóricos, dispôs-se a efetuar o parto de uma das filhas de seu patrão e, em seguida operou o avô da jovem, extraindo um tumor de seu peito, em delicada cirurgia.
Raro exemplar de político honesto, ajudou a redigir uma constituição para colônias inglesas, destacando um programa de tolerância política, social e religiosa. Colaborou no desenvolvimento das indústrias na Inglaterra e foi pioneiro no princípio de participação dos operários nos lucros das empresas.
Batalhou, no campo das ideias, em favor da imprensa livre, considerando-a fundamental para evitarem-se regimes ditatoriais e monarcas despóticos. Incansável na defesa da liberdade de consciência, admitia que todas as religiões têm pontos básicos em comum e que não é razoável haver hostilidade entre os religiosos.
E era um homem de .  O fato de Locke crer em Deus é algo inusitado, porquanto o empirismo é incompatível com a experiência religiosa. Não podemos ter um contato com o Criador a partir dos sentidos físicos.
Tão amplos eram seus conhecimentos, tão brilhante a sua erudição, tão grande a sua competência, em variados setores de atividade, que nãocomo conter tudo isso nos acanhados limites de uma única existência. Locke foi um Espírito milenar em trânsito pela carne, trazendo farta bagagem de vivências anteriores.
E embora adepto do empirismo na abordagem do Mundo, privilegiava, como todo Espírito superior, a sensibilidade, o sentimento elevado, no trato com os problemas humanos e o semelhante. Por isso, dizia bem humorado: O homem que vive de acordo com a razão tem o coração de uma máquina de costura.
         Nos últimos tempos, prestes a desencarnar, Locke chamou os amigos e disse-lhes que podiam se alegrar por eleFinalmente iria encontrar o caminho para a verdade infalível, além de todas as dúvidas humanas.
         Como filósofo e como religioso, que admitia a existência e sobrevivência da alma humana, faltou-lhe o conhecimento fundamental – a reencarnação.
Saberia, então, que ao nascer não trouxe uma página em branco, como supunha, mas toda uma biblioteca contida em seus registros espirituais, que fizeram dele uma das mais destacadas personalidades do século XVII.



Richard Simonetti, 81, é espírita, escritor, dirigente espírita um dos maiores divulgadores da Doutrina Espírita codificada por Allan Kardec, é colaborador semanal deste blog.