quarta-feira, 20 de setembro de 2017

O CENTRO ESPÍRITA QUE FREQUENTO MUDOU! O QUE FAÇO? - Por David Chinaglia








Por um período tenho escrito na internet casos, e exemplos da doutrina espírita, além de divulgar os verdadeiros ensinamentos de Allan Kardec o codificador desta doutrina.

Conheço vários centros Brasil a fora, de uma época que viajei muito, e por mais que os mares fossem bravios, jamais deixei de estar onde se falasse do Espiritismo.
Dentre as milhares de pessoas que conheço que me escrevem do Brasil, recebo sempre de algum lugar a observação, e o comentário clássico, "o meu centro mudou, o que faço?".

Há muitos anos um dirigente que muito me ensinou nesta doutrina, que vamos chamar de senhor "P", dizia que como é possível alguém falar que o centro mudou? o que aquelas pessoas que falavam isto pensavam da casa espírita, o que elas iam buscar? divertimento? recolocação social? privilégios? e sempre alertava sobre o fato, que quem muda somos nós.

Claro ele podia e devia ter razão, afinal dedica mais de 42 anos ao Espiritismo em sua cidade, conheceu fatos, foi testemunha das coisas mais estranhas que poderia relatar aos senhores e as senhoras que estão a nos ler.
Algumas delas muitos que conhecessem aqui sairiam correndo do computador ou do celular, por se tratar da verdade desta doutrina que poucos sabem.
Porém concordo com senhor P, e aqui repito a você minha amiga e você meu amigo, será que foi a casa espírita que mudou ou foi você?

Quanto mais frequentamos uma casa, mais amizades fazemos, tudo tem um ciclo, algumas pessoas ficam outras saem, e o convívio social não pode ditar o "meu centro espírita".
Agora o que fomos buscar lá? socorro? aprendizado, entendimento? 

De fato temos que questionar, o que a casa nos ensina, não só no que nos ajuda, afinal carrego comigo alguns ensinamentos que o centro espírita, não pode ser visto somente como pronto socorro, que de fato é,mas sobre tudo como escola.

Quando alguém nos fala, de um centro, de um aprendizado que teve, e nos indica, está dando a indicação de um lugar que o ajudou, que ensinou, mas lembre-se, só centro espírita, não ajuda ninguém.

Precisamos ter atitudes conosco mesmo.
Quem ajuda os dirigentes doutrinários ou trabalhadores, é você mesmo, sua vontade de mudar, primeiro passo importante para que as coisas se ajustem em sua vida.
Não deve delegar a centro nenhum, a dirigente nenhum por melhor que ele seja, a função de gestar sua vida dentro do planeta terra ela é sua.
Nos momentos tensos a casa espírita está lá, para socorrer, para ensinar, porém não é um clube social, embora no Brasil, exista comandos que fazem da casa um centro de solução, e quando deixam de faze-lo, se tornam ruins.

O que mudou o bate papo? a amiga ou amigo da sala de livros, o conteúdo das palestras? o passe? ou as pessoas que geralmente lhe agradavam e hoje ou mudaram de centro ou vão bem menos, o que mudou?

Teoricamente uma casa tem um agrupamento de espíritos que nela trabalham, ensinam e ajudam, porém é preciso que você faça correções em seus pensamentos, se está num mesmo centro, há dois,três, quatro anos, você mudou, não é a mesma pessoa que chegou lá sem ar quase para respirar, sem norte, então não julgue, auxilie.
Sim, eu particularmente já vi muitas casas mudarem, o comando, a diretoria, a filosofia no entanto não pode mudar porque não é do dirigente A ou B, é da codificação, e tudo que não for, não estiver dentro do que Allan Kardec codificou, pode não ser espiritismo.

A Casa Espírita no Brasil tem ganho a vertente perigosa de extensão da igreja, tem gente que vai a casa espírita, mas continua, praticando atos pertinentes a uma religião, tipo Católica, ou Evangélica.
A Doutrina Espírita no Brasil mudou a sua origem principal, isto ocorre porque o Brasileiro em especial, tem o hábito de não crer nas bruxas, mas que elas existem, existem.

E lá se vão vários conceitos, porque certamente uma pergunta me feita pelo senhor P cabe aos senhores e senhoras neste momento: "Em que canoa quer chegar ao plano espiritual?"
Muitos de nós usando o vernacúlo popular usa duas canoas, a chamada "milagrosa" do Espiritismo, e a tradicional da Igreja, seja ela qual for.
O que precisamos parar é de achar que o centro espírita é responsável pela nossa vida social, cansei de ver em São Vicente, em Santos, afirmações do tipo, a dirigente G trata melhor ao atendido A,B,C, o que não deve ocorrer.

Certamente como a vida não pode ser vivida somente dentro do centro espírita existem entre alguns dirigentes amigos da vida social do dia á dia que lá frequentam, mas rigorosamente, o bom dirigente ou atendente o trata igualmente no que se diz, ensinamentos, mas, no relacionamento não pode ser igual ao de um amigo ou amiga de muitos anos, e isto confunde o frequentador, chamado de assistido.

Temos que policiar nossos pensamentos, aprendi com meus professores a toda vez que detectei algo errado procurar o comando, e relatar minhas dúvidas.
Como exemplo, eu passei a ir menos num determinado centro espírita, por não concordar com um dosm palestrantes semanal da casa, que proferiu ensinamentos totalmente errados ao meu ver que estudei a doutrina mais a fundo, com o que codificou Allan Kardec, isto mudou sim a minha vida em relação a esta casa, no entanto, depois de refletir mantive minhas visitas embora menores do que outrora.
O palestrante em questão fez afirmações em cima da obra Nosso Lar, que foram equivocadas, assim como o teor da obra em sua primeira edição e este é um assunto para outro dia, pois se trata de um entendimento que todos não possuem.
Deixei de frequentar a casa, até pelo apoio que vi que o tema teve, e por ver que Kardec, embora a obra fosse citada, as vezes era esquecido, em detrimento de outro formador de idéias, que não teve o mesmo conhecimento e estudo para regrar, ou codificar nada, foi apenas um professor como milhares vemos dentro da doutrina.
Claro que Kardec não é o fundador do Espiritismo, ele existe desde que o planeta foi escolhido pelos nossos líderes espirituais, hoje perdidos no conceito da maioria pelo conceito de Deus que é muito particular.

Então meu amigo e minha amiga, sua casa espírita pode ter mudado, mas, antes de fazer fofocas no Facebook, escrever a outros frequentadores, falar o que não deve procure o comando da casa, e com a mesma facilidade que opina em redes e e-mails fale com eles, pergunte, questione, é seu direito como aprendiz da doutrina espírita.

A casa espírita pode fazer coisas erradas? pode e muitas fazem, porém não nos cabe discordar, ou ajudamos procurando o comando como eu fiz no meu caso, e optamos por nos afastar se nada for feito, ou não propagamos coisas que podem mudar vidas.

Imagine por exemplo uma pessoa fadada a morte, que chegue pela primeira vez num centro, e ouça falar, ou você comentar com amigos: "a casa mudou, antes era melhor, hoje nem tanto", e esta pessoa parta sem buscar ajuda, você vai se responsabilizar? Vai assumir isto?

Por mais problemas que possa ter um comando local, sempre existem espíritos e médiuns, e aprendizes da doutrina que ajudam a resolver rotas mal traçadas, se houverem.
Não podemos julgar, temos que ajudar, criticar por criticar, vamos cair na vala comum, daqueles que criticam e nada fazem para mudar.

Somos todos pessoas diferentes umas das outras, com pensar, com cultura, educação, crenças diferentes, porém não podemos nem devemos mudar rotas de fé e aprendizado, devemos corrigir se estiver em nossa capacidade, e ajudar aqueles que se propuseram a comandar a corrigir se algo tiver errado de fato, doutrinariamente.





Porque o foco Doutrinário de uma casa, não pode sair do que nos ensina Allan Kardec em suas obras chamadas da codificação, se estiver fora, já não é mais espiritismo.
Então medite sobre o que falar e com quem falar sobre mudanças em sua casa espírita, e lembre se tudo estiver errado, e você estiver certo, a decisão de trocar de casa é sua, já que estamos aqui numa escola de aprendizado, que é a vida, e isto temos em vários lugares da cidade e do Estado e do País, ninguém nasceu preso ao centro A, B, etc.

Lembre-se também CENTRO ESPÍRITA NÃO É IGREJA, dirigente seja homem ou mulher não é padre e não tem poderes sobrenaturais, alguns sabem o tanto quanto você, já vi médiuns que nunca estudaram a obra básica o Livro dos Médiuns, está errado, mas aqui, se vive na casa espírita, á moda da casa, então, pondere.

Esta doutrina sobrevive porque até hoje sua base doutrinária não foi desmentida pela ciência, atacada sempre foi e será por todas as igrejas, que hoje mais disputam o "mercado de fiéis" do que querem de fato ensinar as pessoas, que na vida tudo acontece para nosso aprendizado, nosso entendimento sobre a regra do planta e colherás, e da Ação e reação.

Lembre o escândalo é necessário, mas aí daquele que o praticar, sendo assim cuida de ti, procura teu dirigente e outros que comandam a casa que você diz que mudou, se nada for feito, mude você na livre opção de ir e vir, e leve contigo o melhor que lá aprendeu, afinal nada é por acaso. 



David Chinaglia,59, é espírita, palestrante,radialista, divulgador do Espiritismo,  seguidor da Doutrina Espírita de acordo á codificação de Allan Kardec, editor deste blog e colabora com suas experiências vividas ao longo de 35 anos dentro do espiritismo.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

VIDA ETERNA NA TERRA - Por David Chinaglia







Em tempos modernos, vemos a vida, Deus, a vida após a vida, que o nosso Espiritismo tão bem explica, como a única possibilidade lógica de entendimento  de quem somos e de onde viemos e para onde iremos, após o fim das atividades do corpo humano.

A morte é realmente o grande desafio á mente do ser humano, a suas crenças, e por pesquisas em todo o Mundo seja espírita,católico,evangélico, ou mesmo ateu, 77% das pessoas pesquisadas temem á morte física do corpo, 33% dos pesquisados pensam diariamente de que forma ela irá ocorrer.
No entanto, existem aqueles que investem, estudam, e querem prolongar a vida por tempo indeterminado.




E assim o senhor da foto acima, Peter Thiel é um dos bilionários do nosso mundo atual, é dono de 51% da maior empresa do setor de criogenia humana, a ALCOR, que mais investe para a "cura da morte."


Você sabe o que é CRIOGENIA ?


A criogenia é um ramo da físico-química que estuda tecnologias para a produção de temperaturas muito baixas (abaixo de −150°C, de −238°F ou de 123 K), principalmente até à temperatura de ebulição do nitrogénio líquido ou ainda mais baixas, a criobiologia, que é o estudo de baixas temperaturas em organismos.


Para que servem além de de uso em foguetes e equipamentos técnicos?


Servem para é a preservação a baixas temperaturas de humanos ou mamíferos com o objectivo de serem reanimados no futuro.
Nos Estados Unidos já temos cerca de 5 mil pessoas mortas, totalmente congeladas, de forma segura, com um custo anual que gira em até 50 mil dólares, cerca de 154 mil reais ano,para preservar o corpo assim que a medicina encontre a cura para a morte do corpo humano ocorrida por causas naturais.


Criopreservação é a tecnologia através da qual células, tecidos ou embriões são preservados pelo arrefecimento a temperaturas abaixo do ponto de congelação da água.
Alguns setores privados, e até mesmo os governos Americano e Russo, possuem estudos, e ações para trazer a vida novamente corpos de humanos que morreram sem entender o processo espiritual do corpo humano, sem acreditar em Deus, e alguns até possuíam crença religiosa, mais ligados a igreja Católica ou Evangélica, mas de um enorme apego a vida.









Neste momento, paramos e fazemos uma reflexão, isto será de fato possível? chegaremos ao ponto de trazer de volta a vida, pessoas tecnicamente mortas?
Claro que ainda não, no entanto o avanço da medicina poderá fazer isto ocorrer em alguns anos, hoje apenas os corpos são mantidos vivos por esta técnica acima relatada, a questão espiritual vai além.
Nas histórias mais recentes do cinema vimos um filme de um soldado que foi experimento das forças armadas Americanas, que volta a vida 50 anos depois, e o filme me ajuda agora a concluir o texto.


Imagine meu caro leitor, você acordando da morte daqui a uns 80 anos que tal? parece legal não é? Rico, poderoso, terá vencido o mais cruel dos adversários ao longo da história da humanidade, a morte física, agora, pare e pense, como diria a professorinha.


Sua mente será de 2017, no auge de sua capacidade, o que você fará num Mundo de 2097, quem será você com valores, estudos, conhecimentos com atraso de 80 anos, é como imaginar algo além da normalidade e você será um velho, tentando aprender coisas que deixou de faze-lo sem uma das principais tecnicas do ser humano, que é a experiência.

O ato de viver, de reconhecer, de repito aprender sempre, sim, pois vai acordar, e tudo estará pronto, e teoricamente você também, mas, no Mundo a frente, você não terá tido a oportunidade do aprendizado, o direito ao erro, ao acerto, vos será dado um conhecimento, e neste momento, você ficará muito perturbado, pois seus amigos, filhos, parentes, a sociedade como um todo será outra, e você será um super velho, num mundo novo, que fora a curiosidade não servirá para nada.
Sempre lembro de Kardec, na questão de nossos pensamentos, e neste texto mais uma vez o codificador, é por mim lembrado.





Aliás 
 como escreve sempre Richard Simonetti, estamos aqui no planeta para viver nossa experiência de vida, nossa oportunidade de conhecimento, nossa luta pessoal de aprendizado e de reformas, não podemos estar aqui para sempre, ou por 200 anos.



Se analisarmos o que ensina Allan Kardec, iríamos num traçado paralelo, não ter mais a oportunidade de reencarnar, afinal quem não morre não renasce, e mais imagine você com 200 anos, seria muito chato ou não?
O ser humano ainda possue segredos a serem desvendados, um deles, é como este cérebro maravilhoso se desenvolveu, e chegou a ponto de tanta criação.
Estamos num patamar muito avançado, embora estejamos mais de 600 anos atrasados em nossa evolução pelo tempo que perdemos, com guerras, doenças, e nossa prisão ao desejo material, e pela carne.


Pessoalmente nem conheço o senhor Peter, ele deve ser um gênio, mas, se analisarmos sua busca pela vida eterna no planeta Terra, com a mesma encarnação é pensar na vida, sem a real chance de evolução, sim, pois somos limitados, e somente a experiência vivida, pode nos dar evolução.


Em tese fomos expulsos de uma civilização adiantada, por sermos rebeldes, aqui estamos em corpos imperfeitos, e limitados, para que possamos adquirir conhecimento, para que um sistema funcione, a vida continua além da vida, no plano espiritual, assim testemunharam os grandes estudantes, codificadores desta doutrina e de outras que acreditam na vida após a morte, perpetuar a vida na Terra seria a destruição desta idéia, deste sistema.
Diria até que seria a vitória do mal, contra o bem, afinal, este sistema que temos é justo para todos, Jesus disse a cada qual pelo seu merecimento.
Precisamos melhorar nossos pensamentos e educar mais nosso querido e amado cérebro.






Penso que ao invés de pensarmos tanto na "morte", deveríamos pensar mais na vida, nas oportunidades que o sistema espiritual nos dá de aprendizado, de entendimento.
Não posso confirmar que estamos aqui como expulsos de um sistema perfeito, consigo pensar que somos experiências em evolução, espíritos, que precisam entender e se separar do apego a matéria, ao poder, e não estamos aqui para brincar de Deus, ou para nos dar uma permanência eterna, pois isto acabaria com o grande segredo, que é a evolução, que é a renovação da humanidade.


O que precisamos pensar e concentrar nossas forças é melhorar, nossa moral, nosso caráter, nossos pensamentos, aprender a usar mais nosso cérebro, nosso poder de criação para darmos pelos atuais médios 83 anos(nova idade média do ser humano), anos de bom aprendizado.


A evolução de uma raça não está na centralização do poder, nem tão pouco na sua redução por capacidade financeira, está na sua humanidade, na sua caridade, na sua capacidade de amar a si e ao próximo, no prazer de ensinar, de aprender.
Claro de termos o prazer de de irmos ao encontro daqueles que já foram, e se for de nosso merecimento aqui retornar para aprendermos mais e mais, já que não temos vida superior no passado.


Aos olhos do Espiritismo, esta é sua melhor encarnação, não fique se olhando em Reis e princesas, fique olhando que esta é a sua melhor, então imagine o que já foi de ruim e tenha o prazer de se olhar no espelho.
Tenha o prazer dever sua evolução por si mesmo, valorize agora vossa vida, agradeça, se estiver com dificuldades visite, asilos, hospitais, se emocione com as dores alheias, reze mais pelo seu País e pelo Mundo, faça mais a sua parte.


Bezerra de Menezes, escreveu que quando o orgulho e a vaidade estiverem fora do meio do ser humano, neste planeta, teremos evoluído e este não será mais um planeta de expiação, de sofrimento, e sim de evolução.

Temos que nos ajudar como civilização, a sermos melhores, e não eternos, eternos meus amigos vou lhes contar um segredo, já somos, pois não somos a carne que vemos no espelho, somos espíritos, vivendo uma experiência muito além da imaginação, e espíritos não morrem, evoluem, naturalmente, então meu caro imortal, esqueça este sonho de manter este corpinho atual por 400 anos, viva bem a sua vida, e mais se torne inesquecível, para aqueles que tiveram o prazer em conhece-lo.

Ah! sim, seja feliz, viva feliz, e tenha o prazer de morrer, para poder renascer, tantas vezes estimado leitor, for necessário.



David Chinaglia, 59, é espírita, escritor, editor deste blog desde 2011, segue a codificação da doutrina de acordo os ensinamentos de Allan Kardec, e colabora mensalmente nas páginas do blog.




segunda-feira, 24 de julho de 2017

EM FAVOR DA FELICIDADE - por Richard Simonetti



                                  
                                      richardsimonetti@uol.com.br  


         Os felizes são mais queridos pelos outros e tendem a ser mais tolerantes e criativos.
         Esta observação é do psicólogo americano Martin Steligman, da Universidade da Pensilvânia. Pesquisando sobre o assunto há décadas, concluiu que a felicidade é o somatório de três coisas diferentes: prazer, engajamento e significado.
         Suas conclusões aproximam-se das ideias espíritas. Oportuno, portanto, nos determos nesses três pilares que ele propõe.
         
Prazer. É aquela sensação agradável que experimentamos quando ouvimos uma boa música, uma anedota engraçada, lemos um livro envolvente, assistimos a uma comédia no cinema, teatro ou televisão; quando temos uma boa conversa com um amigo, quando namoramos ou comemos chocolate, este manjar dos deuses.
         Steligman considera que o grande erro da sociedade contemporânea é concentrar a busca de felicidade apenas nesse pilar. Tem razão. As pessoas acabam confundindo prazer com felicidade, resvalando para vícios e excessos que apenas complicam a existência, como o cigarro, o álcool, as drogas, a glutonaria, a promiscuidade sexual, que proporcionam muitos prazeres em princípio, problemas e dores depois. Vale lembrar o poema do poeta alemão Friedrich Rückert (1788-1866):
         O coração tem dois quartos:
         Moram ali, sem se ver,
         Num a Dor, noutro o Prazer.

         Quando o Prazer no seu quarto
         Acorda, cheio de ardor,
         No outro quarto adormece a Dor…

         Cuidado, Prazer! Cautela,
         Canta e ri mais devagar…
         Não vá a Dor acordar…
        
         Interessante seria considerar a observação de Camilo Castelo Branco, o grande escritor português:  O prazer de uma boa ação é o único prazer sem mistura de dor.
         A propósito, diz Silas, no livro Ação e Reação, de André Luiz, psicografia de Francisco Cândido Xavier:
         Pela energia criadora do amor que assegura a estabilidade de todo o Universo, a alma, em se aperfeiçoando, busca sempre os prazeres mais nobres. Temos, assim, o prazer de ajudar, de descobrir, de purificar, de redimir, de iluminar, de estudar, de aprender, de elevar, de construir e toda uma infinidade de prazeres, condizentes com os mais santificantes estágios do Espírito.
         Engajamento. Trata-se do envolvimento com uma atividade, procurando fazer bem feito o que é de nossa responsabilidade, seja na profissão ou fora dela.
         Podemos dizer que a diferença entre um emprego enjoado ou estimulante está na nossa própria postura, não nas atividades que ali exercitamos. Nunca é demais lembrar a velha história de dois operários assentando tijolos. Perguntamos ao primeiro:
         – O que está fazendo?
         E ele, enfadado:
         – Estou levantando uma parede.
         Perguntamos ao segundo:
         – O que está fazendo?
         E ele, entusiasmado:
         – Estou erguendo uma catedral!
         E não é só o emprego. Há outras formas de engajamento. Aprender a tocar um instrumento musical, especializar-se em culinária, praticar ioga, fazer exercícios físicos, integrar-se numa ONG, frequentar um curso…


         Resumindo: é preciso que estejamos sempre ativos, trabalhando e aprendendo, deixando a postura de Januária, da música de Chico Buarque. Indiferente, na janela, ela vê a vida passar. Observe, a propósito, leitor amigo, a questão 943, de O Livro dos Espíritos:
         Pergunta: De onde nasce o desgosto da vida, que, sem motivos plausíveis, se apodera de certos indivíduos?

         Resposta: Efeito da ociosidade, da falta de fé e, também, da saciedade. Para aquele que usa de suas faculdades com fim útil e de acordo com as suas aptidões naturais, o trabalho nada tem de árido e a vida se escoa mais rapidamente. Ele lhe suporta as vicissitudes com tanto mais paciência e resignação, quanto obra com o fito da felicidade mais sólida e mais durável que o espera.
         Significado. Dar significação à vida é também exercitar atos de altruísmo ou bondade, colaborando num serviço em favor do próximo, aproveitando, se possível, nossas próprias habilidades.
         Hoje há um programa extremamente importante nas escolas públicas, chamado Voluntário na Escola. Aos sábados e domingos, pessoas de boa vontade exercitam suas habilidades em favor da criançada. Ensinam informática, trabalhos manuais, esportes e muito mais, de conformidade com suas especialidades. É um sucesso. Ajuda as crianças. Ajuda principalmente os próprios voluntários, oferecendo-lhes altos níveis de satisfação.
         O Espiritismo situa-se numa vanguarda nesse tipo de engajamento, esclarecendo ser necessário nos dedicarmos ao esforço do Bem para que sejamos felizes.
         Por isso há tantas instituições espíritas voltadas à filantropia, atendendo a recomendação básica contida na máxima de Kardec: Fora da caridade não há salvação.




         Steligman mediu em laboratório os efeitos do prazer, do engajamento e do significado na felicidade das pessoas. E descobriu que os maiores níveis estavam relacionados com o significado.
         Um gesto de bondade, ajudar alguém, cuidar de uma criança, atender o necessitado, contribuir em favor de uma causa justa, trabalhar por ela, pode, ressalta ele, aumentar o nível de felicidade por dois meses.
         Experimente, caro leitor, e ficará tão feliz com pequenos gestos de bondade que se empolgará pelo desejo de ser bom o tempo todo. Jesus deixava isso bem claro ao proclamar que o maior no Reino de Deus (o estado íntimo de paz e felicidade) é o que mais serve. Quanto mais servirmos, mais amplas a paz e a felicidade em nós.


Richard Simonetti, 81, escritor, espírita, palestrante, divulgador da Doutrina Espírita de acordo a codificação de Allan Kardec, tem inúmeras páginas na internet, e videos mantidos em You Tube sobre a doutrina, e suas experiências em milhares de centros espíritas do Brasil e do Mundo, é colaborador deste blog desde 2011.


sábado, 8 de julho de 2017

O LIVRO DOS ESPÍRITOS - POR ALLAN KARDEC





A maior luta dos espíritas, seguidores, ou simpatizantes desta doutrina codificada por Allan Kardec, é de fato estudar, é entender, será tão difícil assim ?

A exemplo de alguns sites vamos fazer aos poucos, que tal?

Nas perguntas 995, 996, falamos da ocupação dos espíritos, quando maus porque não mudam? é preciso entender a pergunta do codificador e a resposta dos imortais(995), na 997, a prece funciona com eles de verdade ? entenda....



995. Haverá Espíritos que, sem serem maus, se conservem indiferentes à sua sorte?

“Há Espíritos que não se ocupam de nada útil. Estão na espera. Mas, nesse caso, sofrem proporcionalmente. Devendo em tudo haver progresso, neles o progresso se manifesta pela dor.”

a) – Não desejam esses Espíritos abreviar seus sofrimentos?

“Desejam-no, sem dúvida, mas falta-lhes energia bastante para quererem o que os poderia aliviar. Quantos indivíduos se contam, entre vós, que preferem morrer de miséria a trabalhar?”





996. Pois que os Espíritos vêem o mal que lhes resulta de suas imperfeições, como se explica que haja os que agravam suas situações e prolongam o estado de inferioridade em que se encontram, fazendo o mal como Espíritos, afastando do bom caminho os homens?


“Assim procedem os de tardio arrependimento. Pode também acontecer que, depois de se haver arrependido, o Espírito se deixe arrastar de novo para o caminho do mal, por outros Espíritos ainda mais atrasados.” (971)


997. Veem-se Espíritos de notória inferioridade acessíveis aos bons sentimentos e sensíveis às preces que por eles se fazem. Como se explica que outros Espíritos, que acreditaríamos mais esclarecidos, revelem um endurecimento e um cinismo dos quais coisa alguma consegue triunfar?

“A prece só tem efeito sobre o Espírito que se arrepende. Com relação aos que, impelidos pelo orgulho, se revoltam contra Deus e persistem nos seus desvarios, chegando mesmo a exagerá-los, como o fazem alguns desgraçados Espíritos, a prece nada pode e nada poderá, senão no dia em que um clarão de arrependimento se produza neles.” (664)

Não se deve perder de vista que o Espírito não se transforma subitamente, após a morte do corpo. Se viveu vida condenável, é porque era imperfeito. Ora, a morte não o torna imediatamente perfeito. Pode, pois, persistir em seus erros, em suas falsas opiniões, em seus preconceitos, até que se haja esclarecido pelo estudo, pela reflexão e pelo sofrimento.





DOUTRINA ESPÍRITA É PRECISO ESTUDAR, ENTENDER, O QUE FALARAM OS ESPÍRITOS MENSAGEIROS, QUE PROCURARAM KARDEC, A VERDADE SEM FANTASIA, SEM SONHO SÓ MUDAR QUEM QUER, NINGUÉM DETERMINA EM ESPÍRITOS MUDANÇAS, ELES ACEITAM QUANDO E SE QUISEREM, LOGO, MUDE SEUS PENSAMENTOS, ESTUDE, CONHEÇA A VIDA ALÉM DA VIDA, COM 
ALLAN KARDEC.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

O TERRÍVEL OBSESSOR - POR RICHARD SIMONETTI


                            






Fares, próspero comerciante, aguardava com ansiedade o término dos trabalhos mediúnicos em sala íntima, junto ao salão de reuniões públicas, no Centro Espírita. Desejava orientação para um problema que o afligia. Algo aparentemen­te simples, até ridículo para quem o apreciasse, mas terrível para ele que o enfrentava: uma dificul­dade no fechamento diário de sua próspera loja.

Dificuldade não era o termo exato. Diria melhor batalha. Uma batalha contra o impulso de repetir intermináveis cuidados e verificações,
rela­cionados com as instalações elétricas, o cofre, as janelas e a porta de entrada.
Esta última era o tormento maior. Parecia dotada de magnetismo. Por maior fosse seu empenho em afastar-se, era inexoravelmente atraí­do, levado a testar repetidamente se estava tranca­da. Pressionava para cima, como se fosse erguê-la, experimentando a resistência da fechadura central. Observava o cadeado embaixo, manualmente, porque não confiava no testemunho de seus olhos.
Ensaiando resolução, virava as costas e da­va alguns passos em retirada. Frustrava-se logo, porquanto a dúvida se instalava de imediato, tra­zendo-o a novas verificações. Repetia aquele bailado irracional múltiplas vezes, disfarçan­do para que ninguém percebesse seu comporta­mento desatinado.
Quando finalmente convencido de que tudo estava bem, já no estacionamento em tra­vessa próxima, ressurgia a infame dúvida: "Será que tranquei o cofre?"
Então se danava, forçado a rever a verificação, confrontando pela enésima vez a malfadada porta, a esquentar os miolos.
Confiava na ajuda espiri­tual. O médium encarregado do receituário era
co­nhecido por suas virtudes como instrumento dos Espíritos em favor de pessoas atribuladas.



Encerrada a reunião, ouviu chamarem por seu nome. Levantou-se e foi ao encontro do aten­dente, que lhe entregou a esperada orientação. Em letra firme e alongada estava registrado:
        
Diagnóstico: Auto obsessão.
      
Tratamento: Passe e oração. Ler  Mateus, 6:19-21.


Fares estava perplexo. Já ouvira alguém se re­ferir à auto obsessão como um processo em que o indivíduo alimenta ideias infelizes que o pertur­bam, colhendo sofrimentos voluntários, desneces­sários e inúteis, algo como morder a própria língua ou bater a cabeça na parede.
Chegando ao lar, buscou um exemplar de O Novo testamento. No trecho recomendado, leu:
Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a Terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam. Mas, ajuntai para vós outros tesouros no Céu, onde nem a traça nem a ferrugem corroem e onde ladrões não escavam nem roubam. Porque, onde está o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.
Impressionado, Fares considerou que talvez fosse melhor empenhar o coração em favor de ri­quezas mais consistentes, conforme a recomenda­ção de Jesus.

                                   * * *
Quando nos envolvemos demasiadamente com o imediatismo terrestre, nossa mente passa a funcionar em circuito fechado, gerando dúvidas e angústias que crescem rapida­mente em nosso íntimo, como massa levedada.
Em tal situação, antes de cogitarmos da existência de supostos obsessores, melhor faríamos combatendo a auto-obsessão, no esforço por arejar nossa vida interior com ideias nobres e ideais santificantes, cuidando das “coisas do Céu”, par que as “coisas da Terra” não nos sufoquem.


Richard Simonetti, 81, é espírita, escritor, divulgador da Doutrina Espírita no Brasil há mais de 63 anos, tem suas páginas na internet, em Facebook, e colobora com este blog semanalmente.



sábado, 17 de junho de 2017

NÓS E OS OUTROS UMA EXPERIENCIA NEUROLÓGICA - POR NUBOR ORLANDO FACURE



No livro “O que o Cérebro tem para contar” Ramachandran fala de uma experiência neurológica que ocorre durante uma cirurgia no cérebro de um paciente chamado Smith, na Universidade de Toronto, um dos maiores centros de cirurgia para epilepsia.




Tudo é feito com o cérebro exposto e o paciente acordado.No decorrer da cirurgia o cirurgião introduz um eletrodo na região do Cíngulo anterior – nessa área, muitos neurônios se especializam em reagir a dor. A delicadeza do procedimento permite tamanha sofisticação que, em determinado momento, o cirurgião detecta um neurônio em particular que reage a cada vez que a mão do Sr. Smith é picada com uma agulha

 – até aí nada de muito especial – mas, o médico se assombra com o que vê a seguir: esse mesmo neurônio se excita de maneira igualmente vigorosa quando é mostrado ao Sr. Smith uma outra pessoa sendo picada na mão – é como se o neurônio, ou o circuito neuronal de ele faz parte, estivesse sentindo empatia para com a outra pessoa – ou seja: a dor do outro – a dor de um estranho torna-se uma dor igual no Sr. Smith.







É, mais ou menos o que aprendemos na velha Índia e no budismo – afirmam não haver nenhuma diferença essencial entre a própria pessoa e o outro, e que a verdadeira iluminação decorre da compaixão que dissolve essa barreira – agora temos uma demonstração física dentro dos neurônios – nossos cérebros são fisicamente construídos para reagir com empatia e compaixão.






Lição de casa:
Em essência somos todos iguais
Se pudéssemos vencer as barreiras do egoísmo sentiríamos as necessidades dos outros como necessidades nossas também.




Nubor Orlando Facure, 76, é médico, neurologista, espírita, escritor, um dos grandes colaboradores da Doutrina, caminhou na jornada durante 50 anos como amigo e médico de Chico Xavier, é colaborador deste blog, hoje presidente do Instituto do Cérebro em Campinas.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

O MOBILIÁRIO DO CÉU - POR RICHARD SIMONETTI

             
                                    



         Conta Jesus (Lucas, 12:16-21) que a seara de um homem rico produziu muitos frutos, tantos que não tinha onde guardar. Resolveu, então, derrubar velhos celeiros e construir novos, bem maiores, e ali recolheria o seu tesouro. Depois diria à sua alma:
         – Tens em depósito muitas riquezas para muitos anos. Descansa, come, bebe e folga.
         Mas Deus lhe disse:
         – Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado para quem será?
         Comenta Jesus: – Assim acontece com aquele que é rico diante dos homens, porém não rico diante de Deus.




         Certamente aquele homem rico, como todo judeu, frequentava a sinagoga, pagava o dízimo, jejuava, efetuava sacrifícios no templo, observava o sábado.
         E, como todo ser humano, empenhava-se em melhorar suas condições materiais, com mais riquezas, mais propriedades, mais dinheiro, garantindo velhice confortável.
         Faltou-lhe o detalhe fundamental: preparar seu futuro como Espírito imortal.
                                               ***



         Só há uma certeza na vida – a morte. Todos morreremos um dia. Só há uma certeza na morte – nada levaremos. Caixão, como se costuma dizer, não tem gavetas. Tudo permanecerá aqui.
Ficarão bens, propriedades, riquezas, joias, dinheiro… Até mesmo um mísero alfinete será confiscado na rigorosa alfândega do Além. E também fama, poder, prestígio, títulos…
Importante jamais esquecer que mais cedo ou mais tarde, amanhã ou dentro de algumas décadas, bateremos as botas, retornando ao mundo espiritual, à pátria verdadeira, ao nosso lar.
Manda a prudência e o bom-senso que tenhamos sempre um pé atrás, isto é, que estejamos atentos, que cogitemos da grande transição, evitando surpresas desagradáveis.
Nesse aspecto, o primeiro passo, o mais importante, está em definir a finalidade da existência humana.
Diz o ateu: – Estamos aqui por acidente biológico. Não há passado nem futuro. Tudo termina na sepultura.
Diz o evangélico: – Estamos aqui para encontrar Jesus. Não há o passado, apenas o futuro no paraíso, se estivermos com o Senhor.
Diz o espírita: – Estamos aqui para pagar dívidas com o sofrimento. O passado é negro, o futuro será de bênçãos se formos bem comportados.
São ideias equivocadas. A finalidade precípua, fundamental, da jornada terrestre é nossa evolução, com o desenvolvimento de nossas potencialidades criadoras como filhos de Deus.
A evolução ocorre quando nos empenhamos em conquistar valores intelectuais e morais, construindo um patrimônio que nos permita o acesso às moradas dos bem-aventurados.
A propósito, há esclarecedor diálogo de um turista brasileiro com famoso mestre egípcio que visitou na cidade do Cairo. Ficou surpreso ao ver que ele morava num único e singelo cômodo. O mobiliário consistia de rústica mesa e pequena banqueta. A partir dali houve breve e significativo diálogo:
O turista: – Onde estão seus móveis?
O sábio: – Onde estão os seus?
O turista: – Estou de passagem pelo Cairo.
O sábio: – Estou de passagem pela Terra.
Importante preparar não apenas um mobiliário, mas também um lar no Além, a fim de não nos situarmos como um sem-teto, compondo a imensa população de rua em regiões purgatórias.
Memento mori!
Traduzindo: Lembre-se de que você vai morrer!


Cuidado com as preocupações exageradas relativas aos celeiros da Terra. Imperioso cuidar dos investimentos para o Céu, buscando aqueles tesouros que as traças e a ferrugem não corroem nem os ladrões roubam, como ensinava Jesus!




Richard Simonetti, 81, é escritor, espírita, e colaborador deste blog, é um dos maiores divulgadores da Doutrina Espírita segundo a codificação de Allan Kardec a mais de 63 anos.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

CONSEQUÊNCIAS IMEDIATAS DO SUICÍDIO - POR RICHARD SIMONETTI







richardsimonetti@uol.com.br



1 – Qual a primeira consequência do suicídio?

A terrível constatação: o suicida não alcançou o seu intento. Não morreu! Não foi deletado da Vida. Continua a existir, sentir e sofrer, em outra dimensão, experimentando tormentos mil vezes acentuados. É uma situação traumática e apavorante, conforme informam suicidas que se manifestam em reuniões mediúnicas. 



2 – Seus sofrimentos são de ordem moral?

Em parte. Há outro aspecto a ser considerado: os estragos no perispírito, o corpo espiritual. O apóstolo Paulo o denominava corpo celeste. Um corpo feito de matéria também, mas em essência, numa outra faixa de vibração, como define Allan Kardec. É o veículo de manifestação do Espírito no plano em que atua, e intermediário entre ele e o corpo físico, na reencarnação.



3 – Quando o médium vidente diz que está vendo determinado Espírito, é pelo corpo espiritual que o identifica?

Exatamente. O Espírito não tem morfologia definida, como acontece com a matéria. É uma luz que irradia. Diríamos, então, que o vidente vê determinado Espírito em seu corpo espiritual, tanto quanto identificamos um ser humano pela forma física. 













4 – O que acontece com o perispírito no suicídio?

Sendo um corpo sutil, que interage com nossos pensamentos e ações, é afetado de forma dramática. Se alguém me der um tiro e eu vier a desencarnar, poderei experimentar algum trauma, mas sem danos perispirituais mais graves. Porém, se eu for o autor do disparo, buscando a morte, o perispírito será afetado e retornarei ao Plano Espiritual com um ferimento compatível com a área atingida no corpo físico. É muito comum o médium vidente observar suicidas com graves lesões no corpo espiritual, produzidas por instrumento cortante, revólver ou outro meio violento por ele usado.



5 – Qualquer tipo de suicídio sempre afetará uma área correspondente no perispírito?

Sim, com tormentos que se estenderão por longo tempo. Dizem os suicidas que se sentem como se aquele momento terrível de auto aniquilamento houvesse sido registrado por uma câmera em sua intimidade, a reproduzir sempre a mesma cena trágica. Imaginemos alguém a esfaquear-se. A diferença é que, enquanto encarnado, essa autoagressão termina com a morte, enquanto que na vida espiritual ela se reproduz, insistentemente, em sua mente, sem que o suicida se aniquile. 



6 – Digamos que a pessoa dê um tiro na cabeça…

Sentirá repercutir, indefinidamente, o som do tiro e o impacto do projétil furando a caixa craniana e dilacerando o cérebro. Um tormento indescritível, segundo o testemunho dos suicidas. Lembra a fantasia teológica das chamas do inferno, que queimam sem consumir.



7 – Falando em chamas, e se a pessoa se matou pelo fogo, desintegrando o corpo?

Vai sentir-se como alguém que sofreu queimaduras generalizadas. Experimentará dores acerbas e insuportável inquietação. É uma situação desesperadora, infinitamente pior do que aquela da qual, impensadamente, pretendeu fugir. 



8 – Podemos situar os desajustes perispirituais como castigos divinos?

Imaginemos um filho que, não obstante advertido pelo pai, não toma os devidos cuidados ao usar uma faca afiada e se fere, seccionando um nervo. As dores e transtornos que vai sentir não serão de iniciativa paterna para castigá-lo. Ele apenas colherá o resultado de sua imprudência. É o que acontece com o suicida. Seus tormentos relacionam-se com os desajustes que provocou em si mesmo. Não constituem castigo celeste, mas mera consequência de desatino terrestre.


Richard Simonetti, 81, é espírita, palestrante, escritor, um dos maiores divulgadores da Doutrina Espírita no Brasil, colabora com este blog semanalmente.



Ri